Governança corporativa é só para grandes empresas?

Negócios
14/06/2017

Por: Milena

Muitos pequenos e médios empreendedores suspiram quando identificam os processos de governança corporativa funcionando nas grandes empresas. Parte desses líderes fica esperando a hora de suas empresas crescerem para usufruírem dos princípios da governança e se beneficiar deles. Mas quem disse que apenas as grandes empresas podem apostar em governança corporativa?

 

Isso não está escrito em lugar algum, mas é visto como uma máxima no mundo corporativo que exclui as pequenas e médias empresas.

 

Os empreendedores entendem o processo de governança como algo muito complexo e caro e acabam supondo que apenas as grandes podem desenvolvê-la.

 

Para conseguir implementá-la nas pequenas e médias empresas, é importante entender bem os conceitos e saber como fazer. Confira algumas dicas!

 

Governança corporativa: o que é?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas.

 

Como se pode ver, o próprio conceito é amplo e não limita a implantação da governança de acordo com o tipo ou o porte da empresa. Onde houver pessoas organizadas em favor de alguma instituição, lá haverá um campo vasto para serem desenvolvidas ações capazes de melhorar as práticas de gestão já existentes.

 

Participação: como promovê-la?

Inserir a governança corporativa como prática nas pequenas e médias empresas é uma forma de promover uma participação mais equilibrada de sócios, gestores ou outros atores envolvidos na administração do negócio. O sistema de governança ajuda a atribuir responsabilidades para cada área da empresa e cria mecanismos de cobrança para organizar essa atuação.

 

Em empresas familiares, é muito comum que o controle efetivo do negócio fique centralizado em alguns membros da família. A governança distribui essas competências e garante que todos tenham participação no negócio, por meio de critérios técnicos e objetivos.

 

Transparência: o que fazer para alcançá-la?

A transparência é um valor das empresas que adotam a governança corporativa. Isso acontece porque o sistema de governança incentiva a clareza plena dos processos da empresa e todos os stakeholders passam a se beneficiar dessa orientação. Como não poderia deixar de ser, agir de forma transparente é um princípio muito importante também para as pequenas e médias empresas.

 

Uma forma de alcançar a clareza durante a atuação é adotando medidas simples e com embasamentos legais que garantam a segurança na tomada de decisões. As tendências mercadológicas também ajudam nesse processo, pois o mercado dita as regras em relação ao que é eticamente aceito ou não.

 

Orientação por consenso: é possível consegui-la?

Quando a empresa tem um modelo de gestão baseado na governança corporativa ela tomará decisões com base no consenso. E o grupo precisará amadurecer para isso, por meio de diálogos e de muita conversa. Essa habilidade deverá ser desenvolvida ao longo da atuação da pequena ou média empresa.

 

No início, isso poderá ser um exercício frequente de paciência, pois é comum, nas empresas menores, as decisões serem tomadas pelos diretores ou pelo acionista majoritário. Mas com o tempo, o grupo perceberá o valor das decisões adotadas em conjunto.

 

Gerenciamento de riscos: os pequenos podem?

Qualquer empresa deve acompanhar e gerenciar os riscos de seu negócio. As pequenas empresas também devem trabalhar com esse foco, afinal, elas também podem estar sujeitas a riscos ambientais, operacionais, financeiros, regulatórios, estratégicos, tecnológicos, sistêmicos, sociais e trabalhistas.

 

O primeiro passo é mapear esses riscos, identificando a probabilidade e gravidade relacionadas a cada um deles. Em seguida, deve-se listar as medidas de controle para preveni-los e os planos de contingência para caso eles ocorram. É papel dos sócios ou de um comitê de governança ou do Conselho de Administração acompanhar as providências relacionadas aos riscos mapeados.

 

Efetividade e eficiência: como persegui-las?

A governança corporativa acaba motivando as empresas a serem mais efetivas e eficientes por meio da implantação de diversas ferramentas gerenciais. Uma delas é o planejamento estratégico regular, que registra os objetivos da organização, estipula prazos e metas para alcançá-los.

 

Outra prática que pode estimular melhores resultados também nas pequenas e médias empresas é a adoção de auditorias externas. Quando a empresa solicita um olhar externo e independente sobre seus processos, ela se abre à melhoria contínua e sistemática.

 

Conselho de administração: como elegê-lo?

Como todas as decisões durante a governança corporativa são tomadas por consenso, há a necessidade de formar um conselho de administração ou órgão similar para orientar a tomada de decisões. Essa formação deverá ser orientada com base nos interesses da empresa, garantido que toda a área estratégica da instituição estará representada.

 

Outro preceito que deve ser observado é a participação de membros externos à empresa nesse conselho. Isso vai garantir que as decisões levem em conta o que for melhor paro o negócio e considere uma visão externa nas discussões e votações.

 

Uma pessoa de fora lidará melhor com eventuais disputas entre sócios ou acionistas e ainda pode oferecer um olhar externo que assegura equilíbrio e profissionalismo na tomada de decisões.

 

Plano de sucessão: como criá-lo?

As pequenas e médias empresas ainda podem se beneficiar de outro aspecto que é considerado durante a efetivação do processo de governança: a construção do plano sucessório. Esse plano vai guiar todo o crescimento da empresa e vai também orientar a sua perpetuidade ao longo dos anos.

 

Para isso, serão criados critérios objetivos de sucessão que serão documentados e registrados em ata. Esses critérios disporão sobre os aspectos que devem ser cumpridos para que os membros do grupo alcancem cargos de gerência, diretoria e até a presidência da empresa. Ele também deve estipular critérios como formação, idade e experiência profissional que esses membros devem ter em cada etapa.

 

Accountability: é importante para as pequenas?

Accountability é um termo usado para destacar a importância das empresas prestarem contas daquilo que fazem. Mas isso não está relacionado apenas a números de faturamento, mas a qualquer decisão corporativa que leve em conta o futuro da empresa.

 

Usar um insumo menos poluente ou a adoção de planos de cargos e salários são alguns exemplos. A prestação de contas das decisões gerenciais interessa à sociedade em menor ou maior grau.

 

Essa prática é importante para direcionar as escolhas e decisões corporativas. Quando você sabe que as escolhas da empresa são públicas, há maior responsabilização e cuidado durante as ações gerenciais.

 

Agora que você descobriu que já pode considerar que a governança corporativa pode ser adotada por pequenas e médias empresas, que tal entender um pouco mais sobre como proteger a sua empresa de forma abrangente e da maneira correta? Confira o artigo que separamos para você:

 

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